Estudo defende políticas públicas para reduzir impactos da menopausa

Pesquisa aponta efeitos na saúde, no trabalho e na renda; cerca de 29 milhões de brasileiras estariam nessa fase.

Foto: Frame TV Brasi.

Um estudo divulgado nesta terça-feira (3), em Brasília, pelo Instituto Esfera alerta para a urgência de políticas públicas estruturadas voltadas à menopausa, especialmente para mulheres negras e em situação de vulnerabilidade social. O levantamento destaca impactos na saúde física, mental e na permanência no mercado de trabalho.

De acordo com a pesquisadora Clarita Costa Maia, uma das responsáveis pelo estudo ao lado da médica Fabiane Berta de Sousa, mulheres negras e moradoras de comunidades desassistidas enfrentam maior sobrecarga biológica e social nesse período. Segundo ela, há um “cruzamento de vulnerabilidades” que intensifica os efeitos da menopausa.

O estudo aponta que muitas mulheres nessa fase são responsáveis pelo sustento da família, o que amplia os efeitos de sintomas não tratados — físicos e psicológicos — sobre a estabilidade no emprego e a renda familiar. O afastamento do trabalho pode gerar reflexos sociais e previdenciários, além de perda de produtividade.

A pesquisa também alerta para consequências na saúde mental, como maior risco de depressão e doenças neurodegenerativas, entre elas o Doença de Alzheimer. As autoras mencionam ainda o aumento de casos de menopausa precoce, associado ao estilo de vida contemporâneo.

O documento defende que o Brasil avance no mapeamento nacional sobre a menopausa e na criação de uma política pública específica. Segundo o estudo, a ausência de diretrizes claras gera impactos diretos sobre o sistema de saúde, a Previdência Social e a economia.

Estimativas indicam que cerca de 29 milhões de brasileiras estejam na menopausa, sendo que 87,9% apresentam sintomas, mas apenas 22,4% buscam tratamento. Dados internacionais apontam custos anuais de US$ 26,6 bilhões nos Estados Unidos e cerca de US$ 150 bilhões globalmente, além de redução média de 10% na renda das mulheres afetadas.

Para as pesquisadoras, tratar a menopausa como tema de política pública não significa patologizar o envelhecimento feminino, mas reconhecer essa etapa como parte legítima do ciclo de vida, que exige cuidado, informação e proteção institucional.

Durante o lançamento do estudo, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, destacou que o envelhecimento populacional tem ampliado o debate sobre a saúde da mulher e afirmou que há crescente mobilização para dar maior visibilidade ao tema.

Fonte: Agência Brasil

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