Um estudo nacional acendeu o alerta sobre o uso contínuo e sem acompanhamento médico de medicamentos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, amplamente utilizados para tratar problemas gástricos. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), indica que o uso prolongado desses fármacos pode comprometer a absorção de nutrientes essenciais e afetar a saúde dos ossos.
Os profissionais analisaram, em testes com ratos, os efeitos dos chamados inibidores da bomba de prótons (IBPs) na absorção de minerais como ferro, cálcio, magnésio, zinco e cobre. Os resultados mostraram desequilíbrios importantes no organismo, com queda nos níveis de ferro, aumento de cálcio no sangue e alterações em órgãos como fígado e baço, o que pode elevar o risco de anemia e osteoporose.
Segundo os autores, os medicamentos reduzem a acidez do estômago — mecanismo essencial para aliviar sintomas de gastrite, refluxo e úlceras —, mas essa mesma ação dificulta a absorção adequada de nutrientes. O estudo reforça que o problema não está no uso correto do remédio, e sim na utilização prolongada e banalizada, muitas vezes por meses ou anos, sem orientação profissional.
Os pesquisadores também demonstraram preocupação com a decisão da Anvisa, que liberou a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica. Embora o órgão destaque que o uso deve ser limitado a até 14 dias para sintomas leves, especialistas alertam que a facilidade de acesso pode estimular a automedicação e aumentar os riscos à saúde.
A recomendação dos especialistas é clara: medicamentos dessa classe devem ser utilizados apenas pelo período indicado, com avaliação médica em casos de sintomas persistentes, além da possibilidade de acompanhamento nutricional quando necessário.
Fonte: Unifesp / Faculdade de Medicina do ABC / Revista ACS Omega / Agência FAPESP / CFF
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