Medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, usados no tratamento da obesidade e do diabetes, podem influenciar a forma como o organismo absorve remédios administrados por via oral, como anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. A interferência não está ligada à perda total da eficácia, mas a um atraso no início da ação dessas medicações.
Entre os fármacos mais utilizados estão a semaglutida (Ozempic e Wegovy), a liraglutida (Saxenda) e a tirzepatida (Mounjaro). Eles atuam reduzindo a velocidade de esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de saciedade. Com isso, os comprimidos ingeridos permanecem mais tempo no trato digestivo, o que pode retardar sua absorção.
O tema ganhou destaque após relatos nas redes sociais de gravidez não planejada durante o uso combinado de tirzepatida e anticoncepcional oral. Especialistas explicam que, em medicamentos que exigem efeito rápido, esse atraso pode criar um intervalo temporário sem a proteção esperada. Já em remédios de uso contínuo, como os destinados à pressão arterial ou antidepressivos, o impacto tende a ser menor.
Estudos apontam que a maior evidência dessa interferência está associada à tirzepatida. Pesquisas indicaram redução do pico de concentração e atraso no início da ação de medicamentos-modelo, como o paracetamol. No caso da semaglutida e da liraglutida, até o momento, não há comprovação clínica consistente de efeito relevante sobre anticoncepcionais orais.
Por precaução, entidades médicas recomendam que mulheres em uso de tirzepatida considerem métodos contraceptivos que não dependam da absorção intestinal, como DIU, implantes, adesivos, injeções ou métodos de barreira. Outro ponto de atenção são efeitos adversos, como vômitos e diarreia, comuns no início do tratamento, que também podem comprometer a eficácia de pílulas anticoncepcionais.
Além disso, a perda de peso associada a esses medicamentos pode aumentar a fertilidade, especialmente em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos, elevando o risco de uma gestação não planejada. Por isso, especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico e do planejamento reprodutivo durante o uso dessas medicações.
Fontes: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) / Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) / Universidade de São Paulo (USP)
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