Bahia soma quase 3 mil falhas na assistência à saúde de crianças, aponta levantamento

Profissionais alertam para riscos evitáveis e defendem mais investimentos, capacitação e protocolos voltados à segurança infantil.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Bahia registrou 2.859 falhas na assistência à saúde envolvendo crianças de 0 a 11 anos entre 1º de janeiro e 14 de dezembro de 2025. Os dados constam em levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), compilado e divulgado pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP), e acendem um alerta para a proteção dos pacientes mais vulneráveis.

No mesmo período, foram notificados 459.746 eventos adversos em serviços de saúde públicos e privados em todo o Brasil. Desse total, 47.853 ocorrências atingiram crianças de até 11 anos — número superior ao registrado em 2024, quando a faixa etária somou 43.944 casos.

Na Bahia, as notificações se concentraram especialmente entre bebês de 29 dias a 1 ano (837 registros), crianças de 2 a 4 anos (987), de 5 a 11 anos (611) e recém-nascidos, evidenciando fragilidades na assistência pediátrica. Entre os problemas mais comuns estão falhas de comunicação entre equipes de saúde e familiares, além de situações que resultam em quedas, lesões por pressão e erros na administração de medicamentos.

Para profissionais, o cenário reforça a necessidade de ações mais efetivas do poder público. Entre as medidas que podem ser adotadas pelo governo estão a ampliação da capacitação contínua de profissionais de saúde, o fortalecimento de protocolos específicos de segurança do paciente infantil, a melhoria da comunicação com pais e responsáveis e o investimento em tecnologia para reduzir erros assistenciais. Também é defendida a criação de programas permanentes de monitoramento da qualidade do cuidado em unidades pediátricas e neonatais.

Segundo a pediatra Priscila Amaral, integrante da SOBRASP, a participação ativa das famílias é essencial, mas precisa ser acompanhada de estruturas adequadas. “Pais e responsáveis devem ser informados sobre o diagnóstico e o tratamento, mas cabe ao sistema de saúde garantir processos claros, equipes treinadas e ambientes seguros para evitar danos que podem ser prevenidos”, ressalta.

A adoção de políticas públicas voltadas à segurança da criança nos serviços de saúde é apontada como caminho fundamental para reduzir ocorrências, evitar agravamentos e assegurar um atendimento mais humanizado e eficiente em todo o estado.

Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) / Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP)


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