A Polícia Federal (PF) revelou novos detalhes do esquema milionário de grilagem de terras que envolvia a compra de decisões judiciais. O advogado Juarez Chaves de Azevedo Junior, preso em 22 de outubro, recebeu R$ 16.984.480,00 em sete transferências PIX da empresa Villa Bella das Furnas Participações e Negócios Ltda, ligada ao empresário Paulo Augusto Ramos dos Santos. A investigação aponta que a empresa era usada para dissimular o pagamento de propina em articulação com o desembargador José James Gomes Pereira (Portal GP1).
Outro advogado, Germano Coelho Silva Barbosa, recebeu R$ 9.221.980,00 em nove transferências via PIX, reforçando a suspeita de que recursos ilícitos circulavam entre advogados e agentes do Judiciário para garantir decisões favoráveis a interesses privados.
Os pagamentos estão relacionados à decisão do agravo de instrumento da empresa Sundeck Holding Ltda, que buscava a posse de um imóvel rural de 22.545 hectares, já pertencente a outro proprietário. O Grupo Franciosi teria financiado todo o esquema para se apropriar de terras legalmente de terceiros.
A PF descreveu três núcleos de atuação no esquema:
- Núcleo 01: Desembargador José James Gomes Pereira e sua filha Lia Rachel de Sousa Pereira Santos, responsáveis por negociar, vender e implementar decisões judiciais, além de ocultar valores ilícitos.
- Núcleo 02: Advogados Juarez Chaves e Germano Coelho, intermediários entre os núcleos e empresários interessados.
- Núcleo 03: Empresários e particulares que buscavam decisões favoráveis, principalmente em litígios fundiários.
As investigações apontam que a decisão do agravo foi distribuída de forma suspeita ao desembargador José James, que teria negociado a venda do resultado em benefício da Villa Bella, ligada a Paulo Augusto. Este, embora não fosse parte formal do processo, era o verdadeiro interessado, repassando os direitos do imóvel à Sundeck Holding, que transmitiria ao Grupo Franciosi.
O esquema evidencia vantagens econômicas ilícitas obtidas via comercialização de decisões judiciais, com movimentação de valores milionários entre advogados e agentes do Judiciário.
Fontes: Polícia Federal / Portal GP1
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