O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) prepara uma revisão de suas normas internas para ampliar o atendimento presencial nas agências e melhorar a produtividade na análise de benefícios. A mudança é discutida com o Ministério da Previdência Social e entidades sindicais, com implementação gradual prevista para 2026.
Atualmente, quase metade dos 18,8 mil servidores do órgão trabalha de forma remota — 39,8% em home office integral e 6% em regime parcial. Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., a alta taxa de teletrabalho tem contribuído para o fechamento de agências, o que estimula a atuação de intermediários e escritórios de advocacia que cobram para protocolar pedidos de benefícios.
Levantamentos indicam que 70% das 1.500 agências estavam sem atendimento presencial em maio de 2025. Embora esse número tenha caído, ainda gira em torno de 60%. “A cada agência fechada, abrem cinco escritórios de intermediários. O segurado precisa de um atendimento humano”, afirmou Waller Jr.
O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, reforça a crítica: “Há locais com tabela de preços: R$ 150 para protocolo de auxílio e até R$ 400 para aposentadoria. O INSS entregou essas pessoas à própria sorte”.
A volta presencial, no entanto, enfrenta desafios estruturais e orçamentários. Muitas agências carecem de equipamentos adequados e reformas. Há também resistência de parte dos servidores, que temem queda de produtividade e condições inadequadas de trabalho.
O Sindicato Nacional dos Servidores da Previdência (SINSSP) apoia o diálogo, mas alerta que o retorno total pode ser contraproducente sem melhorias nas condições de trabalho.
Fontes: INSS / Ministério da Previdência Social / SINSSP / Folha de S.Paulo
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