A depressão continua sendo um dos maiores desafios da saúde pública na Bahia. De acordo com dados do Observatório de Saúde Pública, em 2024 o estado registrou 498 internações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS) decorrentes da doença. Os números revelam recortes importantes sobre gênero, raça/cor e faixa etária, mostrando quais grupos estão mais vulneráveis.
Perfil dos pacientes
Entre os pacientes internados, as mulheres representaram 60,8% dos casos (303), enquanto os homens somaram 39,2% (195). A diferença confirma a tendência observada em pesquisas nacionais e internacionais, que apontam maior prevalência da depressão entre mulheres, muitas vezes relacionada a fatores biológicos, sociais e culturais.
O recorte por raça/cor também evidencia um padrão importante: mais de 80% dos internados eram pessoas pardas (403 pacientes). Em comparação, foram registradas 49 internações de pessoas brancas, 39 de pessoas pretas e 7 de pessoas amarelas. O dado reforça desigualdades sociais e raciais no acesso à saúde mental, além de expor vulnerabilidades estruturais enfrentadas por esse grupo populacional.
Faixa etária mais afetada
As estatísticas mostram que a depressão atinge com força a população jovem e adulta. A maior concentração de casos ocorreu entre pessoas de 25 a 34 anos (103 internações), seguidas por indivíduos de 15 a 24 anos (96) e de 35 a 44 anos (84). Outro ponto de atenção está entre os idosos: houve 76 internações em pessoas com mais de 65 anos, sendo 49 mulheres e 27 homens. O índice reforça a importância de políticas de acompanhamento da saúde mental em todas as fases da vida.
Mortes relacionadas à depressão
Além das internações, os dados revelam um cenário ainda mais preocupante: em 2024, a Bahia registrou 78 óbitos relacionados à depressão. A maioria das vítimas também era de pessoas pardas (47 casos), seguidas por 21 pessoas brancas, 8 pessoas pretas e 2 sem identificação racial. Esses números evidenciam que, além do sofrimento psicológico, a doença pode levar a desfechos fatais quando não há tratamento adequado e acompanhamento contínuo.
Contexto da saúde mental na Bahia
Especialistas apontam que a combinação de fatores como desigualdade social, dificuldades no acesso a serviços especializados, estigmas sobre a saúde mental e a falta de políticas públicas específicas contribuem para o cenário atual. Apesar dos esforços do SUS na oferta de atendimento por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a demanda segue alta e nem sempre os pacientes conseguem acompanhamento constante.
Perspectivas e desafios
A divulgação desses números reforça a necessidade de ampliar campanhas de conscientização sobre saúde mental, investir em tratamento precoce e garantir o fortalecimento da rede de apoio psicossocial. Programas de prevenção ao suicídio e políticas voltadas à juventude e aos idosos também aparecem como medidas prioritárias.
A depressão é uma doença que pode ser tratada e controlada, mas exige atenção do poder público, da sociedade e da rede familiar para reduzir impactos e salvar vidas.
Fonte: Observatório de Saúde Pública / Bahia Notícias
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