Dia Mundial do Autismo: o que realmente pode ser comemorado? Psicopedagoga destaca avanços e desafios em Guanambi

Ivonete Souza aponta empoderamento das famílias como conquista, mas alerta para falta de políticas públicas e acesso a terapias.

Neide Lu, jornalista, e Ivonete Souza, psicopedagoga e secretária da Associação dos Familiares e Amigos dos Autistas e Neurodivergentes de Guanambi.

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, o debate vai além da data simbólica. Em entrevista ao Fala Você Notícias nessa segunda (06), a psicopedagoga Ivonete Souza, secretária da Associação dos Familiares e Amigos dos Autistas e Neurodivergentes de Guanambi (AFAG), destacou que o maior avanço está na visibilidade e no empoderamento das famílias, mas reforçou que ainda há muitos desafios a serem enfrentados.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, mais do que uma data de celebração, é um momento de reflexão, luta e mobilização social. Para Ivonete Souza, psicopedagoga e mãe atípica, o principal motivo de comemoração está no fortalecimento das famílias. “Hoje a gente tem mais informação, mais visibilidade. As famílias não se escondem mais. Existe um orgulho em dizer: meu filho é autista e merece espaço na sociedade”, afirmou.

Segundo ela, o autismo não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa por toda a vida. Cada indivíduo apresenta características próprias e níveis diferentes de suporte, o que torna o tema complexo e exige acompanhamento multidisciplinar.

Avanços: visibilidade e organização social

Em Guanambi, a criação e fortalecimento da Associação dos Familiares e Amigos dos Autistas e Neurodivergentes (AFAG) representa um marco importante. Com cerca de 240 famílias cadastradas, a entidade tem atuado na busca por direitos, políticas públicas e acolhimento.

Entre as conquistas, estão:

- Reconhecimento de utilidade pública da associação

- Implantação de vagas de estacionamento preferenciais

- Criação de espaços inclusivos

- Emissão da carteirinha do autista

- Aprovação de projetos voltados à inclusão

“A associação é um espaço de apoio, informação e luta. Mas ainda precisamos de estrutura e investimento para avançar”, destacou Ivonete.

Psicopedagoga Ivonete Souza, secretária da Associação dos Familiares e Amigos dos Autistas e Neurodivergentes de Guanambi (AFAG)

Desafios: acesso limitado e sobrecarga familiar

Apesar dos avanços, a realidade das famílias ainda é marcada por dificuldades. O acesso a terapias especializadas — como psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia e terapia ocupacional — é considerado um dos principais obstáculos. “Sem plano de saúde, o custo pode chegar a milhares de reais. É inviável para a maioria das famílias”, alertou.

Outro ponto crítico é a sobrecarga emocional. Muitas mães e pais enfrentam jornadas intensas de cuidados, além da falta de rede de apoio e suporte psicológico.

Mitos e desinformação

Ivonete também chamou atenção para os mitos que ainda cercam o autismo, especialmente a falsa relação com vacinas. “Isso é muito perigoso. Precisamos combater a desinformação com responsabilidade. O autismo não tem uma causa única comprovada”, explicou.

Inclusão começa com empatia

Para a psicopedagoga, a inclusão passa, antes de tudo, pela empatia. “A sociedade precisa acolher mais, entender mais e caminhar junto com as famílias. Não é só em abril, é o ano todo”, reforçou.

Ela também convidou a população para a caminhada de conscientização, que acontecerá no dia 18 de abril, no Parque da Cidade, em Guanambi.

Mensagem para quem está no início

Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Ivonete deixou um recado para famílias que receberam recentemente o diagnóstico: “Respirem fundo, acolham seus filhos e sigam em frente. O diagnóstico não é um rótulo, é uma oportunidade de desenvolvimento.”

Informação que transforma, relatos que emocionam e uma realidade que precisa ser vista — assista à entrevista completa no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e entenda por que essa luta é de todos nós.

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