O uso de canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, exige acompanhamento médico e cuidados para evitar riscos à saúde. Em entrevista ao programa Fala Você Notícias, da Rádio 96 FM, nesta sexta (16), a médica endocrinologista Dra. Roberta Mota, da Clínica AMA, alertou para os perigos da automedicação, do uso de produtos sem procedência comprovada e das doses inadequadas. A especialista também explicou por que o tratamento da obesidade precisa ir além dos medicamentos, incluindo alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional.
Canetas emagrecedoras: por que o uso sem orientação médica preocupa?
As chamadas canetas emagrecedoras ganharam popularidade nas redes sociais e despertaram o interesse de pessoas que desejam perder peso rapidamente. No entanto, segundo a endocrinologista Dra. Roberta Mota, é importante compreender que esses medicamentos são utilizados no tratamento de condições específicas, como diabetes tipo 2 e obesidade, conforme a indicação de cada produto.
Durante a entrevista, a médica destacou que a obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada com responsabilidade. Por isso, o uso desses medicamentos exclusivamente por motivos estéticos, sem avaliação individualizada, pode expor o paciente a riscos desnecessários.
A especialista também chamou a atenção para a comercialização de produtos de procedência duvidosa, contrabandeados ou sem a devida autorização sanitária. Segundo ela, o paciente pode não ter garantias sobre a qualidade, a conservação e a segurança do medicamento adquirido fora dos canais regulares.
Quais são os riscos de usar canetas emagrecedoras por conta própria?
Entre os problemas relacionados ao uso inadequado, Dra. Roberta destacou as doses incorretas, a progressão inadequada do tratamento e os efeitos colaterais que podem se agravar sem acompanhamento profissional.
Náuseas, vômitos e dificuldade para se alimentar estão entre as reações que exigem atenção. Quando o paciente reduz excessivamente a ingestão de alimentos e líquidos, pode ficar mais vulnerável à desidratação e a outros problemas.
A médica explicou que o tratamento deve começar com doses adequadas e seguir uma progressão individualizada, de acordo com a avaliação clínica e a tolerância do paciente. O acompanhamento também permite verificar se o medicamento está produzindo os resultados esperados e se há necessidade de rever a estratégia terapêutica.
Parou de usar a caneta e voltou a engordar? Entenda por que isso acontece
Uma das dúvidas abordadas na entrevista foi o reganho de peso após a interrupção do tratamento.
De acordo com Dra. Roberta Mota, a obesidade é uma condição crônica e pode exigir cuidados de longo prazo. Após a suspensão do medicamento, algumas pessoas recuperam parte do peso perdido, e essa resposta varia conforme as características individuais e a evolução do tratamento.
A especialista ressaltou que a manutenção dos resultados precisa ser planejada com o médico. Reduzir doses, espaçar aplicações ou interromper o uso são decisões que devem ser avaliadas individualmente, sem mudanças feitas por conta própria.
Exercícios físicos ajudam a preservar a massa muscular durante o emagrecimento
O emagrecimento saudável não deve ser avaliado apenas pelo número que aparece na balança. Durante a perda de peso, também é importante preservar a massa muscular, fundamental para a força, a mobilidade e a saúde.
Segundo a endocrinologista, a combinação de exercícios aeróbicos e exercícios resistidos, como a musculação, é importante no tratamento da obesidade. A ingestão adequada de proteínas, com orientação profissional quando necessário, também pode contribuir para a preservação muscular.
A médica reforçou que o uso de medicamentos não substitui os cuidados com a alimentação e a prática regular de atividades físicas. O objetivo deve ser melhorar a saúde e a qualidade de vida, e não apenas emagrecer rapidamente.
Hipotireoidismo pode dificultar o emagrecimento?
Durante a conversa, a especialista também esclareceu dúvidas sobre a relação entre hormônios e ganho de peso.
O hipotireoidismo, quando não está adequadamente controlado, pode contribuir para alterações metabólicas e dificultar o processo de emagrecimento. Entretanto, pacientes com a condição controlada e em tratamento regular não devem atribuir automaticamente toda dificuldade para perder peso à tireoide.
A avaliação médica é fundamental para investigar as causas do ganho de peso e identificar os fatores que podem estar interferindo nos resultados.
Canetas emagrecedoras tratam o lipedema?
Outro assunto abordado foi o lipedema, condição caracterizada por alterações no tecido adiposo, frequentemente acompanhadas de dor e sensibilidade, principalmente nas pernas.
Dra. Roberta explicou que lipedema e obesidade são condições diferentes, embora possam coexistir. Nos pacientes que também apresentam obesidade, a redução do peso pode ajudar a melhorar alguns aspectos do quadro, mas não representa, isoladamente, a cura do lipedema.
A especialista destacou a importância de uma abordagem individualizada, com avaliação médica, alimentação adequada e exercícios físicos regulares, conforme as necessidades de cada paciente.
Emagrecimento saudável exige acompanhamento e mudança de hábitos
Ao final da entrevista, Dra. Roberta Mota reforçou que o tratamento da obesidade não deve se concentrar exclusivamente nas canetas emagrecedoras.
A construção de hábitos saudáveis, a alimentação equilibrada, a atividade física e o acompanhamento profissional são fundamentais para buscar resultados sustentáveis e melhorar a qualidade de vida.
A médica também convidou o público a procurar atendimento especializado para esclarecer dúvidas sobre obesidade, diabetes, tireoide, lipedema e outras condições relacionadas à endocrinologia.
Assista à entrevista completa no YouTube
Quer saber mais sobre os riscos das canetas emagrecedoras, os cuidados com os hormônios e os caminhos para um emagrecimento saudável?
Assista à entrevista completa com a endocrinologista Dra. Roberta Mota no YouTube, no canal Neide Lu Fala Você Notícias.
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