O Brasil tinha 1,96 milhão de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo representava 1,9% dos ocupados e era formado, em sua maioria, por trabalhadores por conta própria.
Do total, cerca de 1,2 milhão atuavam no transporte de passageiros, enquanto 376 mil trabalhavam com entregas e outros 313 mil prestavam serviços gerais ou profissionais por plataformas digitais.
A pesquisa aponta que os trabalhadores de aplicativos cumpriam, em média, 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas entre os demais ocupados do setor privado. Apesar disso, o rendimento médio mensal ficou praticamente no mesmo nível: R$ 3.147 entre os plataformizados e R$ 3.148 entre os demais.
Com jornadas maiores, o rendimento médio por hora dos trabalhadores de aplicativos foi de R$ 16,20, cerca de 12% inferior aos R$ 18,40 registrados entre os não plataformizados.
O levantamento também identificou uma diferença expressiva na informalidade. Entre os trabalhadores de plataformas, 72,1% estavam na informalidade, enquanto o índice era de 42,7% entre os demais ocupados. A cobertura previdenciária também era menor: 34% contra 63%.
A maioria dos plataformizados, 86,8%, trabalhava por conta própria. Segundo o IBGE, porém, esses profissionais apresentam dependência das plataformas em aspectos como definição de valores, prazos e formas de pagamento.
Considerando apenas quem tinha os aplicativos como ocupação principal, o contingente passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025. O crescimento foi de 9,1% em um ano e de 36,8% em três anos.
Entre 2024 e 2025, o número de entregadores por aplicativos aumentou 18,6%, sendo a única categoria com crescimento de dois dígitos.
Os dados fazem parte de uma edição experimental da Pnad Contínua sobre trabalho em plataformas digitais. O levantamento também ocorre em meio às discussões sobre a chamada uberização do trabalho e as condições de atuação de motoristas e entregadores.
A pesquisa evidencia que o trabalho por aplicativos já representa uma parcela relevante do mercado brasileiro, mas ainda é marcado por jornadas extensas, menor rendimento por hora e baixa proteção previdenciária.
Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Agência Brasil
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