Nova regra ambiental da União Europeia pode dificultar exportação do café brasileiro

Estudo aponta que exigências de rastreabilidade devem impactar principalmente cooperativas e pequenos produtores a partir de 2027.

Foto: REUTERS/Jose Roberto Gomes.

As novas exigências ambientais da União Europeia para produtos livres de desmatamento devem aumentar os desafios para cooperativas e pequenos produtores de café do Brasil que exportam para o mercado europeu. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indica que as regras podem elevar custos, ampliar exigências de rastreabilidade e dificultar o acesso ao bloco econômico.

O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) condiciona a entrada de mercadorias no mercado europeu à comprovação de que a produção não ocorreu em áreas desmatadas após dezembro de 2020. Sem essa certificação, a importação será proibida.

De acordo com a pesquisa, o café é a commodity brasileira mais dependente das compras da União Europeia, que recebeu mais da metade das exportações do produto em 2024. Além do café, as novas regras também abrangem bovinos, cacau, óleo de palma, borracha, soja e madeira.

O levantamento destaca que micro e pequenos produtores tendem a enfrentar mais dificuldades para atender às exigências técnicas, principalmente pela necessidade de sistemas de rastreabilidade e pela regularização fundiária. Já produtores de maior porte possuem melhores condições para cumprir as novas normas.

A implementação do regulamento ocorrerá de forma escalonada, entrando em vigor para grandes e médios produtores no fim de 2026 e, posteriormente, para micro e pequenos produtores em junho de 2027. Pesquisadores defendem o fortalecimento da cooperação internacional, o reconhecimento de sistemas brasileiros de monitoramento ambiental e a ampliação do apoio técnico aos pequenos agricultores para reduzir os impactos sobre as exportações.

Fonte: Agência Brasil / Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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