No dia 21 de março, Caetité viveu um momento histórico com a realização do I Xirê na Praça, um evento que reafirmou a valorização do patrimônio imaterial e a resistência das tradições afro-brasileiras. A celebração aconteceu em alusão ao Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, instituída pela Lei nº 14.519/2023, reforçando o respeito à diversidade, o combate à intolerância religiosa e a promoção da igualdade racial.
Mais que uma celebração, o evento se consolidou como um ato de resistência e reflexão sobre o racismo estrutural e a importância da preservação dessas manifestações ancestrais, fundamentais para a identidade cultural do Brasil.
O evento
O I Xirê na Praça foi uma iniciativa do Ilé À?? Ojú Oòrùn, comunidade tradicional de candomblé liderada por Òlórí-Égbè Thonny Hawanny (Babá Thonny de Oyá) e do Ilê Unzo de nkise óya Aba ífé que tem como liderança, Marcella Araujo (Óya Fefe Inú). O evento aconteceu entre 17h e 21h, reunindo praticantes do candomblé, capoeiristas, músicos, percussionistas, representantes do poder público, movimentos sociais e simpatizantes.
A concentração aconteceu na Praça da Árvore, seguida por uma caminhada pela Avenida Barão de Caetité até o palco montado na Praça da Catedral, onde aconteceu discursos de lideranças religiosas e autoridades.
As apresentações culturais incluíram os grupos Capoeira Ginga Bahia e Capoeira Nossa Cultura, o grupo de afoxé Deyialagbede, além do Xirê conduzido por Babá Thonny, entoado nas tradições das nações Kétu e Angola .
O evento, pioneiro no município, contou com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, reafirmando o compromisso com a valorização da diversidade e o respeito às tradições afro-brasileiras.
Em um país laico, garantir espaço para manifestações de fé e cultura é essencial para fortalecer o diálogo, a democracia e a convivência harmoniosa entre diferentes opiniões.
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