Novo medicamento contra Alzheimer chega ao Brasil em junho, mas custo elevado limita acesso

Lecanemabe, aprovado pela Anvisa, promete retardar avanço da doença em pacientes com sintomas iniciais, porém preço e riscos ainda geram debate entre especialistas.

Foto: Reprodução.

A chegada do medicamento Leqembi às farmácias brasileiras no fim de junho reacendeu a expectativa de pacientes e familiares que convivem com o Alzheimer. A medicação intravenosa, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, surge como uma nova alternativa para retardar a progressão da doença em fases iniciais.

Conhecido pelo princípio ativo Lecanemabe, o tratamento atua diretamente sobre a proteína beta-amiloide, associada ao desenvolvimento do Alzheimer. Estudos internacionais publicados em 2023 apontaram redução da carga da proteína no cérebro e desaceleração moderada dos sintomas cognitivos em parte dos pacientes avaliados.

Apesar do avanço científico, especialistas alertam que os benefícios clínicos ainda são considerados limitados e que o uso exige cautela. Entre os principais riscos identificados estão inchaços e micro-hemorragias cerebrais, além da necessidade de acompanhamento rigoroso em centros especializados.

Outro desafio é o custo do tratamento. A estimativa é de que o medicamento custe cerca de R$ 20 mil por mês, valor considerado inacessível para grande parte da população. Além da medicação, o paciente precisa realizar exames complexos, como ressonância magnética, PET-CT e testes genéticos antes do início da terapia.

Especialistas também avaliam que a incorporação do tratamento pelo SUS e pelos planos de saúde ainda deve demorar, devido às discussões sobre eficácia, segurança e alto impacto financeiro.

Mesmo com as limitações, pesquisadores consideram o Lecanemabe um marco importante no combate ao Alzheimer e apontam que a nova terapia pode abrir caminho para tratamentos mais eficazes no futuro.

Fontes: Anvisa, Universidade de São Paulo (USP) e New England Journal of Medicine / CFF

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