O avanço das dívidas entre as famílias brasileiras tem sido impulsionado pelas elevadas taxas de juros e pelo alto spread bancário praticado no país, segundo avaliação de economistas. O cenário levou o governo federal a lançar nesta semana o programa Novo Desenrola Brasil, voltado à renegociação de débitos e recuperação do crédito.
Dados apontam que o spread bancário — diferença entre os juros pagos pelos bancos e os cobrados dos consumidores — chegou a 34,6 pontos percentuais em março, acima dos 29,7 registrados no mesmo período de 2025. A média mundial, segundo o Banco Mundial, gira em torno de 6 pontos percentuais.
A professora da Universidade de Brasília, Maria Lourdes Mollo, afirmou que a taxa Selic elevada influencia diretamente os juros cobrados nos empréstimos, dificultando o equilíbrio financeiro das famílias e o crescimento da economia.
Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo revelou que o percentual de famílias endividadas alcançou 80% em abril, o maior nível já registrado. Entre os brasileiros com renda de até três salários mínimos, o índice chega a 83,6%.
Especialistas também destacam que o Brasil lidera rankings mundiais de spread bancário, fator que encarece o crédito e aumenta a inadimplência. Dados do Banco Central mostram que os juros médios cobrados das famílias chegaram a 61% ao ano, enquanto no rotativo do cartão de crédito as taxas podem ultrapassar 400% anuais.
O Novo Desenrola Brasil foi criado para facilitar renegociações de dívidas de famílias, estudantes e pequenos empreendedores. O programa prevê descontos de até 90%, juros menores e possibilidade de uso do FGTS para reduzir débitos durante os próximos 90 dias.
Fonte: Agência Brasil
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