Uso incorreto de antibióticos ainda preocupa médicos e amplia resistência bacteriana no Brasil

Especialistas alertam para riscos da automedicação e reforçam importância do uso responsável.

Foto: Krakenimages.com | Shutterstock.

O uso inadequado de antibióticos segue como um dos principais desafios de saúde pública, contribuindo diretamente para o avanço da resistência bacteriana no Brasil e no mundo. A prática inclui automedicação, interrupção precoce do tratamento e uso indevido em doenças virais.

Medicamentos antibióticos são indicados exclusivamente para combater infecções bacterianas, mas ainda são utilizados de forma equivocada em casos como gripes e resfriados. Esse comportamento, além de ineficaz, pode comprometer tratamentos futuros ao reduzir a ação dos medicamentos disponíveis.

Um estudo publicado na revista científica PLOS One revela a dimensão do problema no país. De acordo com dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mais de 4,5 trilhões de doses de antibióticos foram distribuídas no Brasil entre 2014 e 2020, com variações significativas entre os estados.

A resistência bacteriana ocorre quando microrganismos deixam de responder aos medicamentos, tornando infecções simples mais difíceis de tratar e elevando o risco de complicações. O problema já impacta procedimentos médicos, cirurgias e tratamentos hospitalares.

Segundo o infectologista Danilo Campos, do Hospital Oto Aldeota, a falta de informação contribui para o agravamento do cenário. “Interromper o tratamento antes do prazo, usar medicamentos sem prescrição ou compartilhar antibióticos são práticas que favorecem a resistência bacteriana”, explica.

O especialista reforça que o uso correto envolve diagnóstico adequado, prescrição médica e cumprimento integral do tratamento. A orientação é procurar avaliação profissional diante de sintomas e evitar a automedicação.

A conscientização da população é apontada como essencial para conter o avanço da resistência bacteriana e garantir a eficácia dos antibióticos no futuro, preservando a segurança dos tratamentos de saúde.

Fonte: PLOS One, Anvisa e especialista em infectologia

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