Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo revelou que o medicamento Nebivolol, usado no tratamento da hipertensão, pode reverter alterações metabólicas associadas à obesidade, incluindo o excesso de insulina no organismo.
A pesquisa, realizada em laboratório na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), mostrou que o fármaco atua diretamente no tecido adiposo perivascular (PVAT), responsável por proteger os vasos sanguíneos. Em quadros de obesidade, esse tecido perde sua função e passa a contribuir para inflamação e aumento da pressão arterial.
Nos testes com animais, o Nebivolol reduziu a hiperinsulinemia, além de diminuir níveis de colesterol ruim (LDL), triglicerídeos e pressão arterial. Também foram observadas quedas na inflamação e melhora na função vascular.
Segundo os pesquisadores, o medicamento restaurou a capacidade do PVAT de ajudar no relaxamento dos vasos sanguíneos, além de aumentar a produção de substâncias com efeito antioxidante e anti-inflamatório, fundamentais para a saúde cardiovascular.
Outro destaque foi a redução de células inflamatórias e de substâncias que agravam processos inflamatórios, reforçando o potencial do tratamento em casos de obesidade associada à hipertensão.
Os resultados indicam que o Nebivolol pode ir além do controle da pressão arterial, atuando como agente protetor dos vasos e auxiliando na prevenção de doenças cardiovasculares.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que os testes foram realizados em animais e novos estudos ainda são necessários para confirmar a eficácia em humanos. A descoberta abre caminho para estratégias mais eficazes no tratamento da obesidade e da hipertensão.
Fonte: Universidade de São Paulo (USP) / Fapesp
Comentários