AGU e Ministério das Mulheres acionam CNJ após absolvição por estupro de vulnerável em MG

Pedido questiona decisão do TJMG que absolveu homem de 35 anos acusado de manter relação com menina de 12 anos.

Foto: Freepik.

A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério das Mulheres protocolaram, na quarta-feira (25), pedido no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apuração da conduta de desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A medida contesta a absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, decisão que gerou forte reação institucional e política.

O pedido é direcionado à 9ª Câmara Criminal Especializada do TJMG e questiona a fundamentação adotada no julgamento, que considerou a existência de uma relação “consensual” e estável entre o réu e a adolescente, com anuência familiar e formação de núcleo familiar.

Para a AGU e o Ministério das Mulheres, a decisão afronta o artigo 227 da Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), ao relativizar a proteção integral garantida a crianças e adolescentes. As instituições criticam o que classificam como “adultização forçada” da vítima e sustentam que não há respaldo jurídico para reconhecer vínculo afetivo em situação que, pela legislação, configura exploração sexual.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que não existe interpretação possível que legitime violência sexual contra criança. Segundo ela, a absolvição enfraquece o compromisso do Estado com a proteção da infância.

A decisão que absolveu o réu havia revertido condenação de primeira instância de nove anos e quatro meses de prisão. O voto vencedor foi do relator, desembargador Magid Nauef Láuar, acompanhado por outro magistrado da Câmara. Em posição divergente, a desembargadora Kárin Emmerich classificou o entendimento como retrocesso na política de proteção integral.

Após recurso do Ministério Público de Minas Gerais, o próprio relator determinou a expedição imediata de mandado de prisão contra o acusado, revertendo o resultado anterior.

O caso também provocou repercussão no Congresso Nacional. Parlamentares acionaram o CNJ e a Procuradoria-Geral da República, enquanto o corregedor nacional de Justiça instaurou procedimento para apurar a atuação dos magistrados, fixando prazo para esclarecimentos.

Com a abertura de apuração pelo CNJ e a revisão da decisão judicial, o caso amplia o debate sobre a aplicação da lei nos crimes de estupro de vulnerável e reforça a discussão sobre a proteção integral de crianças e adolescentes no Brasil.

Fontes: AGU e Ministério das Mulheres

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