Governo lança programa de R$ 10 bilhões para financiar compra de caminhões

Linha de crédito atende empresas, cooperativas e caminhoneiros autônomos; especialistas alertam para cuidados antes de contratar o financiamento.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

O governo federal anunciou na quinta-feira (8) o programa Move Brasil, uma iniciativa que vai disponibilizar R$ 10 bilhões em crédito para a renovação da frota de caminhões no país. O financiamento contará com juros mais baixos e será operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), atendendo empresas de transporte rodoviário de cargas, cooperativas e caminhoneiros autônomos.

Do total de recursos, R$ 6 bilhões virão do Tesouro Nacional e o restante do BNDES. Desse montante, R$ 1 bilhão será destinado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados, que terão acesso a uma linha específica para aquisição de veículos mais novos, eficientes e menos poluentes.

O programa prevê condições facilitadas, como prazo de pagamento de até 60 meses, carência de até seis meses para o início das parcelas e proibição da capitalização de juros durante esse período. O valor máximo de financiamento pode chegar a R$ 50 milhões por beneficiário, e os pedidos poderão ser feitos até 30 de junho de 2026.

Além de estimular a economia e a indústria nacional, o Move Brasil estabelece critérios de sustentabilidade e conteúdo local, com vantagens adicionais para quem optar por caminhões movidos a eletricidade ou biometano. Também há incentivos para o desmonte de veículos antigos, desde que estejam em condições de rodagem, com licenciamento regular e mais de 20 anos de emplacamento.

Apesar das condições atrativas, especialistas alertam que os interessados devem avaliar com cautela antes de assumir o compromisso financeiro. Entre os principais cuidados estão:

- Analisar a real capacidade de pagamento, considerando renda mensal, custos com combustível, manutenção, pedágios e possíveis períodos de baixa demanda.

- Ler atentamente o contrato, verificando taxas efetivas de juros, encargos em caso de atraso e eventuais seguros embutidos.

Evitar comprometer toda a renda, mantendo uma margem financeira para imprevistos, como problemas mecânicos ou queda no volume de fretes.

Desconfiar de promessas fáceis, especialmente de intermediários que garantem aprovação rápida ou ganhos elevados sem apresentar simulações reais.

Buscar orientação financeira, seja com cooperativas, sindicatos ou contadores, para entender se o financiamento realmente trará retorno econômico.

Segundo o Ministério da Fazenda, o programa não gera impacto fiscal primário, pois os recursos são reembolsáveis e o risco de crédito fica a cargo das instituições financeiras participantes.

Fontes: Governo Federal / MDIC / BNDES / agência Brasil

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