Um levantamento nacional inédito identificou os 100 melhores hospitais públicos do Brasil e revelou uma forte concentração dessas unidades no estado de São Paulo, que reúne 30% do total. Embora o número destaque a força da rede paulista, o estudo também evidencia desigualdades regionais no atendimento hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o Instituto Ética Saúde (IES), o Conass e o Conasems. O levantamento integra a fase classificatória do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, cuja premiação está prevista para maio deste ano.
Segundo o médico sanitarista Renilson Rehem, coordenador do estudo, o objetivo vai além de criar um ranking. Para ele, valorizar boas práticas na rede pública contribui para fortalecer o SUS e mudar a percepção negativa frequentemente associada aos hospitais públicos, apesar dos desafios estruturais e financeiros enfrentados.
Nos critérios e distribuição foram analisados indicadores como acreditação hospitalar, taxas de ocupação e mortalidade, disponibilidade de leitos de UTI e tempo médio de internação. Após São Paulo, aparecem Goiás (10%), Pará e Santa Catarina (7% cada), seguidos por Pernambuco e Rio de Janeiro (6% cada), além de outros estados em menor proporção.
A predominância paulista, de acordo com os organizadores, está relacionada ao maior número de hospitais públicos que atendem exclusivamente pelo SUS, tanto em termos absolutos quanto proporcionais. Das 30 unidades destacadas no estado, 17 são da rede estadual e as demais municipais.
Especialistas defendem que as autoridades de saúde ampliem investimentos em estados com menor presença no ranking, fortalecendo a infraestrutura hospitalar, a formação de profissionais e a gestão eficiente das unidades. Medidas como a expansão da acreditação hospitalar, maior repasse de recursos federais com base em critérios de desempenho e a disseminação de boas práticas adotadas por hospitais de referência são apontadas como caminhos para reduzir as desigualdades regionais.
Além disso, o apoio técnico aos gestores locais e o uso estratégico de dados do SUS podem ajudar a elevar a qualidade do atendimento em todo o país, garantindo que o acesso à saúde de excelência não fique restrito a poucos estados.
Fontes: Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) / Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) / Agência Brasil
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