Anvisa autoriza estudo com medicamento para lesão na medula espinhal

Pesquisa com polilaminina pode abrir novos caminhos para recuperação motora e qualidade de vida de pacientes com trauma raquimedular.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de um estudo clínico que vai avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento do trauma raquimedular agudo — condição grave causada por lesões na medula espinhal ou na coluna vertebral, que pode resultar em perda de movimentos e sensibilidade.

O anúncio foi feito na última segunda-feira (5) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou a relevância da pesquisa para pacientes e familiares. Segundo ele, o avanço representa uma nova perspectiva para pessoas que convivem com limitações severas após esse tipo de lesão. “Cada progresso científico renova a esperança de recuperação e de mais autonomia”, afirmou.

Os estudos são conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália. A polilaminina é considerada uma inovação de tecnologia totalmente nacional e já apresentou resultados promissores em fases anteriores, especialmente na recuperação de movimentos.

Nesta etapa inicial, o estudo envolverá cinco pacientes voluntários com lesões agudas da medula espinhal na região torácica, entre as vértebras T2 e T10. Para participar, os pacientes devem ter indicação cirúrgica em até 72 horas após o trauma. Os locais onde os testes serão realizados ainda serão definidos.

Especialistas destacam que, caso a segurança do medicamento seja confirmada, os benefícios podem ser significativos, incluindo maior chance de recuperação funcional, redução de sequelas permanentes e melhora na qualidade de vida das pessoas afetadas pelo trauma raquimedular, além de avanços no tratamento oferecido pelo sistema público de saúde.

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o estudo recebeu prioridade por parte do comitê de inovação da agência, visando acelerar pesquisas de alto interesse social. Ele ressaltou que a iniciativa fortalece a ciência brasileira e amplia as possibilidades de tratamento para uma condição ainda com poucas opções terapêuticas eficazes.

A pesquisa tem como foco principal avaliar a segurança da aplicação da polilaminina e identificar possíveis riscos. A empresa patrocinadora será responsável por monitorar rigorosamente todos os eventos adversos, assegurando a proteção e o acompanhamento contínuo dos participantes durante todo o estudo.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) / Ministério da Saúde / agência Brasil

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