A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a decisão da China de adotar, a partir de 2026, um sistema de cotas tarifárias por país para a importação de carne bovina, com a aplicação de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem o limite anual estabelecido. Para a bancada ruralista, a medida pode provocar instabilidade no mercado brasileiro de carne e gerar prejuízos ao setor produtivo.
Segundo a FPA, a nova política chinesa exige ação imediata do governo brasileiro, especialmente junto ao Ministério da Agricultura, ao Itamaraty e à área de comércio exterior, para abrir diálogo com Pequim e tentar reduzir os impactos da decisão. A bancada também defende a realização de estudos técnicos sobre o fluxo das exportações, a fim de evitar desorganização na cadeia produtiva, redução no ritmo de abates e queda na renda dos pecuaristas.
A principal preocupação do setor é que a tarifa elevada torne a carne brasileira menos competitiva no maior mercado consumidor do mundo. Caso as exportações ultrapassem a cota anual, o aumento de custos pode levar à diminuição das vendas externas, acúmulo de oferta no mercado interno e, consequentemente, queda nos preços pagos ao produtor. Além disso, a dependência do mercado chinês aumenta o risco de impactos econômicos mais amplos, como redução de investimentos e perda de empregos na cadeia da carne.
Pelas regras divulgadas pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM), cada país terá direito a exportar um volume anual com as tarifas atuais. Após o limite ser atingido, os embarques adicionais passarão a pagar uma taxa extra de 55%. As cotas não utilizadas não poderão ser transferidas para o ano seguinte, e o sistema valerá até o fim de 2028.
Para o Brasil, a cota foi fixada em 1,1 milhão de toneladas, número considerado abaixo do volume atualmente exportado ao país asiático. Entre janeiro e novembro, o Brasil enviou 1,52 milhão de toneladas de carne bovina à China, que respondeu por mais da metade das exportações brasileiras do setor nos últimos dois anos.
Especialistas avaliam que, sem negociação, a medida pode prejudicar o equilíbrio do mercado brasileiro de carne, afetando desde grandes exportadores até pequenos e médios produtores, além de comprometer a previsibilidade do setor.
Fonte: Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) / Câmara dos Deputados
Comentários