Substância experimental reacende esperança para pessoas com deficiência motora

Polilaminina mostra sinais de recuperação sensorial e de movimentos em pacientes com lesão medular.

Foto: Arquivo Pessoal.

Pesquisadores brasileiros observaram avanços significativos em dois pacientes com lesão medular completa que receberam aplicação da polilaminina, substância experimental desenvolvida a partir da placenta humana. Após decisão judicial que autorizou o uso, os pacientes passaram a apresentar retomada parcial de sensibilidade e pequenos movimentos, algo considerado raro em casos desse tipo de lesão.

De acordo com a equipe científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina tem potencial para estimular a regeneração da medula espinhal, o que pode trazer benefícios relevantes para pessoas com deficiência física, especialmente aquelas com paraplegia ou tetraplegia recentes. Entre os possíveis ganhos estão a recuperação de sensações, melhora gradual dos movimentos, maior autonomia, redução de complicações secundárias e avanço na reabilitação neurológica.

Especialistas apontam que, se comprovada em estudos clínicos, a substância pode representar uma mudança importante no tratamento de lesões medulares, ampliando as perspectivas de qualidade de vida, inclusão social e independência funcional para milhares de pessoas com deficiência.

Os casos acompanhados mostram respostas positivas poucos dias após a aplicação, como percepção ao toque e contração muscular. No entanto, os pesquisadores alertam que o tratamento ainda está em fase experimental e depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avançar nos testes clínicos em maior escala.

Enquanto isso, as aplicações seguem ocorrendo apenas por decisão judicial, com acompanhamento médico rigoroso e processos intensivos de reabilitação, considerados fundamentais para potencializar os efeitos da substância. A expectativa da comunidade científica é que a polilaminina, aliada à fisioterapia especializada, possa abrir novos caminhos no cuidado e na recuperação de pessoas com deficiência motora causada por lesão medular.

Fontes: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / Anvisa /  Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD)

Comentários

  • Cláudio José Pereira

    Sou paraplégico, sofri acidente automático, como posso fazer parte do estudo experimental , muito obrigado.

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