Onda de calor extrema deve impactar safra e pressionar preços dos alimentos

Temperaturas acima de 40 °C afetam produção agrícola e pecuária, elevam custos logísticos e exigem atenção redobrada de consumidores e autoridades.

Foto: Lucas Moura/Secom PMS.

A intensa onda de calor que atinge grande parte do Brasil neste fim de ano já provoca reflexos diretos no campo e acende o alerta para uma possível alta nos preços dos alimentos nas próximas semanas. Com mais de 1,2 mil municípios em alerta vermelho, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), produtores e especialistas apontam que o estresse térmico sobre lavouras e rebanhos deve reduzir a oferta de produtos essenciais, interrompendo a tendência de queda nos preços observada recentemente.

As altas temperaturas, superiores a 40 °C em algumas capitais, comprometem o desenvolvimento das lavouras, especialmente de hortifrútis como tomate, pimentão e verduras folhosas. O calor excessivo desacelera o crescimento das plantas, intensifica a evapotranspiração e provoca perdas de qualidade, o que resulta em descarte ainda no campo e menor volume disponível para comercialização em feiras e supermercados.

O impacto também atinge a produção de proteínas animais. Gado leiteiro e granjas avícolas são altamente sensíveis ao calor extremo, o que provoca queda na produção de leite e aumento da mortalidade de aves, reduzindo a oferta e pressionando os preços de carnes, ovos e derivados.

Além da produção, a logística de transporte sofre efeitos diretos, já que o calor intenso exige maior cuidado com refrigeração e conservação dos alimentos, elevando os custos operacionais. Esse cenário tende a ser mais sentido a partir de janeiro, quando a menor disponibilidade de produtos frescos pode influenciar os índices de inflação.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que a população adote medidas para reduzir os impactos no orçamento doméstico, como substituir alimentos mais afetados pelo calor por produtos da estação, priorizar itens congelados, planejar compras para evitar desperdícios e pesquisar preços em diferentes pontos de venda.

Já o poder público pode atuar com ações de apoio aos produtores, incentivo a práticas agrícolas mais resistentes ao clima extremo, investimentos em infraestrutura de armazenamento e transporte, além de campanhas de orientação ao consumidor. Medidas de adaptação às mudanças climáticas tornam-se cada vez mais essenciais para reduzir a instabilidade nos preços dos alimentos.

Com eventos extremos cada vez mais frequentes, o calor intenso reforça o desafio para famílias, produtores e autoridades, mostrando que o enfrentamento das mudanças climáticas será decisivo para a segurança alimentar e o equilíbrio econômico nos próximos anos.

Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) / especialistas do setor agrícola; produtores rurais.

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