O Brasil poderá alcançar cerca de 1,8 milhão de casos prováveis de dengue em 2026, segundo projeções de pesquisadores ligados aos projetos InfoDengue e Mosqlimate, em parceria com a Fiocruz e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Mais da metade das infecções deve se concentrar no estado de São Paulo, e o próximo ano pode se tornar o segundo com maior número de registros desde 2010.
Embora os números previstos sejam inferiores aos de 2024 — quando o país ultrapassou 6,5 milhões de casos —, os especialistas alertam para um cenário ainda considerado epidêmico em diversas regiões. Estados do Sudeste, Sul, Centro-Oeste e parte do Norte e Nordeste devem manter índices elevados de incidência, acima do patamar definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Pesquisadores chamam atenção para a expansão da dengue para cidades médias e pequenas, onde a população tem menor imunidade e a rede de saúde, muitas vezes, menos experiência no diagnóstico e no atendimento. Outro fator de preocupação é a possível circulação do sorotipo 3 do vírus, ausente do país há mais de 17 anos, o que aumenta o risco de surtos mais amplos.
Especialistas destacam que o enfrentamento da dengue exige ações coordenadas entre governo e sociedade. Entre as medidas que a população pode adotar estão: eliminar água parada em quintais e recipientes, manter caixas-d’água bem vedadas, usar repelente regularmente — especialmente em períodos de maior circulação do mosquito — e procurar atendimento médico ao surgirem sintomas como febre alta, dores no corpo e atrás dos olhos.
Já o poder público deve intensificar campanhas educativas, ampliar a vigilância epidemiológica, reforçar ações de controle do mosquito e acelerar a distribuição da vacina contra a dengue recentemente aprovada pela Anvisa. O Ministério da Saúde planeja iniciar a imunização pelo SUS com profissionais da atenção básica e, gradualmente, expandir para outras faixas etárias.
Mesmo com a vacina, os especialistas reforçam que os investimentos em prevenção ambiental e controle do Aedes aegypti precisam ser contínuos, já que o mosquito também transmite chikungunya e zika vírus. O combate à dengue, segundo os pesquisadores, passa pela combinação de ciência, políticas públicas eficientes e participação ativa da população.
Fontes: Fiocruz / Fundação Getulio Vargas (FGV) / Anvisa / Organização Mundial da Saúde (OMS)
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