Bahia tem um dos piores rendimentos do país e desafio salarial exige ações estruturais

Dados do IBGE revelam baixa remuneração média e apontam caminhos para mudar esse cenário.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

A Bahia ocupa uma das últimas posições no ranking nacional de rendimentos do trabalho. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado possui o terceiro pior rendimento médio do Brasil, evidenciando que os trabalhadores baianos estão entre os que recebem menores salários no país. A renda média de todos os trabalhos no estado é de R$ 2.140, bem abaixo da registrada no Distrito Federal, onde o valor ultrapassa R$ 5 mil.

As informações fazem parte da publicação Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2025, divulgada pelo IBGE em dezembro. O levantamento indica que apenas Maranhão e Ceará apresentam rendimentos médios inferiores aos da Bahia. Quando analisado apenas o salário do emprego principal, a situação permanece crítica: o estado tem o quarto menor valor do país, com média de R$ 2.086.

A realidade da baixa remuneração leva muitos trabalhadores a buscar alternativas para complementar a renda. É o caso de jovens profissionais que recorrem a um segundo emprego para conseguir arcar com despesas básicas e ter acesso limitado a lazer, cultura e qualificação. Mesmo com aumento da renda mensal por meio da soma de atividades, o alto custo de vida, especialmente com moradia e alimentação, ainda impede uma condição financeira confortável.

Segundo o IBGE, a estrutura econômica da Bahia explica parte do problema. A maior concentração de trabalhadores está no setor de serviços e comércio, segmentos que tradicionalmente oferecem salários mais baixos do que a indústria. Além disso, a baixa qualificação profissional, a elevada informalidade e a grande oferta de mão de obra pressionam o mercado, reduzindo os salários oferecidos.

Para especialistas, mudar essa realidade exige políticas públicas contínuas e integradas. Entre as medidas apontadas estão o incentivo à industrialização, a atração de investimentos com maior valor agregado, a ampliação de programas de qualificação profissional, a redução da informalidade e o fortalecimento da educação técnica e profissionalizante. Em Salvador, por exemplo, a gestão municipal tem investido em capacitações alinhadas às demandas do mercado, em parceria com o setor produtivo, buscando aproximar trabalhadores das vagas disponíveis.

Programas de treinamento e intermediação de mão de obra, como os desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), são apontados como caminhos para elevar a qualidade dos empregos e, consequentemente, os salários. Profissionais defendem que apenas a geração de vagas não é suficiente: é necessário investir em qualificação, inovação e desenvolvimento econômico sustentável para que a renda dos baianos avance de forma consistente.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


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