Dados atualizados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que quase dois em cada dez brasileiros (18,7%) já experimentaram alguma substância psicoativa ilícita ao menos uma vez na vida. O consumo é maior entre homens, mas o crescimento mais acelerado ocorre entre mulheres e adolescentes, especialmente meninas.
Segundo a pesquisa, mais de 13 milhões de pessoas fizeram uso de drogas no período de até um ano antes do levantamento. Entre os adultos, o consumo praticamente dobrou na última década, com destaque para o público feminino, onde o índice triplicou. O estudo também identificou que, entre menores de idade, a experimentação é hoje mais frequente entre meninas do que entre meninos, um dado que acende o alerta para novos padrões de vulnerabilidade.
O levantamento, que ouviu mais de 16 mil pessoas acima de 16 anos em todo o país, aponta ainda a expansão do uso de drogas sintéticas e alucinógenas, principalmente em ambientes urbanos e recreativos. As regiões Sul e Sudeste concentram os maiores índices, enquanto jovens entre 18 e 34 anos seguem como o grupo mais exposto.
A cannabis permanece como a substância ilícita mais consumida, com milhões de usuários recentes e crescimento expressivo em relação a 2012, sobretudo entre mulheres. Parte desses usuários apresenta consumo frequente, dependência e até necessidade de atendimento médico de emergência, situação que é ainda mais preocupante entre adolescentes.
Diante desse cenário, profissionais defendem que as autoridades públicas intensifiquem campanhas educativas permanentes, com linguagem acessível e foco nos riscos reais do uso de drogas, especialmente entre jovens e mulheres. A ampliação de programas de prevenção nas escolas, ações comunitárias, orientação às famílias e fortalecimento da rede de atenção psicossocial são apontados como medidas essenciais.
Além disso, o estudo reforça a importância da vigilância epidemiológica contínua, permitindo que gestores públicos acompanhem a evolução do consumo e ajustem políticas de saúde, assistência social e segurança. Investimentos em informação de qualidade, combate à desinformação e integração entre saúde mental, educação e políticas de proteção social são fundamentais para reduzir danos e conscientizar a população sobre os perigos associados ao uso de substâncias ilícitas.
Fonte: Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) / Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) / agência Brasil
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