Estudo brasileiro alerta: líquidos de vapes já são tóxicos antes do uso

Pesquisa aponta riscos à saúde e reforça necessidade de ações de informação e prevenção ao consumidor.

Foto: haiberliu/Pixabay.

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da PUC-Rio em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) revelou que os líquidos usados em cigarros eletrônicos já apresentam toxicidade antes mesmo de serem aquecidos e inalados. O estudo, publicado na revista científica Toxicology, analisou amostras em circulação no mercado ilegal brasileiro e identificou danos celulares provocados apenas pelo contato com os chamados e-líquidos.

Segundo os pesquisadores, as substâncias avaliadas contêm solventes como glicerina vegetal e propilenoglicol, além de nicotina, aromatizantes e outros aditivos. Os testes, realizados com leveduras e células de ratos, mostraram que os efeitos tóxicos aumentam conforme a concentração dos líquidos, provocando redução da viabilidade celular e prejuízos ao metabolismo, independentemente da origem do produto, inclusive de países onde a venda é regulamentada.

O levantamento reforça o alerta sobre o consumo de dispositivos eletrônicos para fumar, que seguem amplamente utilizados no Brasil apesar de serem proibidos desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dados do Ministério da Saúde indicam que o uso desses produtos alcançou níveis recordes nos últimos anos, ampliando a preocupação com os impactos à saúde, especialmente entre jovens.

Diante dos riscos apontados, especialistas defendem medidas mais rigorosas para informar o consumidor, como campanhas educativas permanentes, divulgação clara dos danos à saúde em meios de comunicação e redes sociais, intensificação da fiscalização contra a venda ilegal e inclusão do tema em ações de prevenção ao tabagismo em escolas e unidades de saúde. Pesquisadores também destacam a importância de tornar os resultados científicos mais acessíveis à população para combater a ideia equivocada de que os vapes seriam menos nocivos que o cigarro tradicional.

Para profissionais em saúde, os dados confirmam que os cigarros eletrônicos representam riscos reais e que a informação é fundamental para reduzir danos à saúde pública.

Fontes: PUC-Rio / Furg / Ministério da Saúde / Anvisa

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