O consumo de álcool voltou a ser tema prioritário na saúde pública após alertas de neurologistas sobre os danos progressivos da substância ao cérebro, sobretudo com o avanço da idade. Dados oficiais indicam que o uso regular de bebidas alcoólicas está associado a cerca de 49 mil mortes por ano na França, um número que evidencia a gravidade do problema e se repete em diferentes países, inclusive no Brasil.
Os impactos do álcool vão além de um único órgão. Quando o consumo ultrapassa duas doses diárias para mulheres e três para homens, os riscos aumentam de forma expressiva, elevando a incidência de cânceres de boca, garganta, esôfago, cólon e reto, além de doenças hepáticas como a cirrose, problemas pancreáticos, complicações cardiovasculares e transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão.
Do ponto de vista neurológico, o álcool é classificado como uma neurotoxina direta, capaz de causar danos contínuos às células do sistema nervoso. Segundo o neurologista Richard Restak, o consumo frequente compromete funções essenciais como memória, atenção e raciocínio, acelerando o envelhecimento cerebral. Estudos também associam o uso excessivo ao surgimento precoce de quadros de demência, ampliando o alerta para quem mantém o hábito ao longo dos anos.
Restak recomenda que pessoas com 65 anos ou mais eliminem completamente o álcool da rotina, já que, nessa fase, o cérebro se torna mais vulnerável aos efeitos tóxicos da substância. O especialista também orienta que indivíduos de qualquer idade reavaliem o consumo, especialmente quando o álcool passa a ser usado como válvula de escape para estresse e ansiedade.
Entre as condições mais graves relacionadas ao consumo excessivo está a Síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma forma de demência ligada diretamente ao álcool, marcada por perda severa da memória recente e associada à deficiência de vitamina B1. Sem tratamento adequado, os danos podem se tornar irreversíveis.
Diante desse cenário, especialistas defendem ações mais firmes por parte dos governos, como campanhas educativas permanentes, fortalecimento da atenção básica para identificação precoce do uso abusivo, ampliação do acesso à saúde mental e à reabilitação pelo SUS, regulação mais rígida da publicidade de bebidas alcoólicas, políticas de redução de danos e integração entre saúde, educação e assistência social. A avaliação é de que apenas ações conjuntas entre poder público e sociedade poderão reduzir mortes e garantir mais qualidade de vida à população.
Fonte: Especialistas em neurologia e saúde pública
Comentários