IA inaugura nova fase da formação profissional no Brasil

Transformação tecnológica exige requalificação contínua e amplia oportunidades para jovens sem excluir trabalhadores mais experientes.

Foto: Shutterstock.

A popularização da inteligência artificial generativa está redefinindo a formação profissional no país e alterando a lógica do mercado de trabalho. O que antes dependia apenas de acumular conhecimento, agora requer capacidade de adaptação a sistemas que produzem textos, códigos e análises em segundos — sempre com uso ético, responsável e voltado para resultados.

Profissionais como o pesquisador Herman Bessler e a juíza do Trabalho Taciela Cordeiro afirmam que essa revolução reorganiza carreiras, pressiona universidades e expõe desigualdades estruturais. Bessler ressalta que a IA democratizou o acesso à tecnologia, permitindo que qualquer pessoa utilize ferramentas avançadas, e tornando a requalificação contínua indispensável. Ele reforça que a formação atual não se baseia apenas no domínio de ferramentas, mas na redefinição da identidade profissional em um cenário de inovação acelerada.

A juíza Taciela destaca que a tecnologia não substitui a reflexão humana e que a dignidade da pessoa deve permanecer no centro das decisões. Para ela, a IA exige maturidade para equilibrar o que pode ser automatizado e o que precisa de interação humana.

As novas exigências do mercado incluem lógica, estatística, programação, leitura crítica de dados e, agora, fundamentos de LLMs, engenharia de prompt, mitigação de alucinações, criação de agentes, automações e domínio de nuvem e segurança digital. Para Bessler, o essencial é aplicar IA a problemas reais do negócio, valorizando portfólios práticos acima de certificações — embora estas também ampliem empregabilidade.

Instituições de ensino expandem cursos na área, mas ainda não acompanham a velocidade das transformações. Para Taciela, a formação deve integrar tecnologia, impacto social e direitos fundamentais; Bessler reforça que empresas, universidades e governos precisam criar trilhas práticas inclusivas, especialmente para grupos vulneráveis.

A demanda por profissionais híbridos — que unem tecnologia e negócios — cresce mais rápido que a oferta, e a escassez é ainda mais crítica no setor público, responsável pela regulação e pelo uso seguro da IA. Assim, habilidades humanas se tornam ainda mais valorizadas: criatividade, comunicação, pensamento crítico, adaptabilidade e liderança situacional.

Além disso, muitos brasileiros continuam dependentes apenas do celular para estudar e trabalhar, o que limita sua qualificação digital. Para enfrentar essas barreiras, Bessler defende uma estratégia multissetorial unindo investimentos públicos, privados, startups e políticas de inclusão digital ampla.

A IA abre novas oportunidades para a população jovem, especialmente ao ampliar o acesso a ferramentas de estudo, acelerar o aprendizado, facilitar a entrada no mercado de trabalho e permitir que jovens criem projetos, negócios e soluções inovadoras com poucos recursos. Ao mesmo tempo, ela não exclui profissionais mais experientes, que ganham meios de atualizar competências, aumentar produtividade, reduzir tarefas repetitivas e usar sua vivência profissional para atuar em funções estratégicas, de análise e liderança — áreas onde a experiência humana continua indispensável.

Assim, a IA tende a unir gerações, criando um mercado mais colaborativo e diverso, onde jovens trazem domínio tecnológico e profissionais maduros agregam visão crítica, experiência e tomada de decisão qualificada.

Fonte: Correio Braziliense / Especialistas Herman Bessler e Taciela Cordeiro Cylleno / correio*

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