A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a inclusão da prostatectomia radical robótica no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, tornando-a a primeira cirurgia robótica com cobertura obrigatória pelos planos de saúde no Brasil. O procedimento, principal tratamento para câncer de próstata localizado ou localmente avançado, passa a ser oferecido pela saúde suplementar a partir de abril de 2026. No SUS, a tecnologia já estava autorizada desde agosto deste ano.
Considerada o método mais avançado para remoção da próstata, a técnica robótica oferece maior precisão, menor sangramento, redução do tempo de internação e melhores resultados funcionais em comparação às cirurgias tradicionais. Segundo o presidente da ANS, Wadih Damous, a decisão marca um avanço na modernização da saúde suplementar. A diretora Lenise Secchin destaca que a efetividade dependerá de implementação segura e estruturada.
A recomendação da Conitec levou em conta evidências científicas e a infraestrutura já existente no SUS, que hoje possui 40 plataformas robóticas. Pela legislação, toda tecnologia incorporada ao SUS deve ser replicada na saúde suplementar. Ainda assim, persiste o desafio da interiorização, já que a maior parte dos equipamentos está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. A expectativa é de que a inclusão no rol estimule novos investimentos em outras regiões.
A cirurgia robótica para câncer de próstata, aprovada nos EUA e Europa entre 2003 e 2004, chegou ao Brasil em 2008 e hoje é amplamente utilizada em grandes hospitais. A doença é o segundo tipo de câncer mais frequente entre homens, e o Inca estima 71,7 mil novos casos até o fim de 2025, principalmente em indivíduos acima de 60 anos. Especialistas reforçam a importância de ampliar exames de rotina e combater estigmas para garantir diagnóstico precoce.
O avanço da tecnologia também abre espaço para cirurgias à distância, conduzidas por especialistas em outras cidades ou estados. Essa possibilidade amplia o acesso a profissionais altamente qualificados, reduz desigualdades regionais, diminui filas e oferece maior segurança ao paciente graças à precisão dos sistemas robóticos. Além disso, permite que um único cirurgião atenda mais pessoas em diferentes localidades, otimizando os recursos médicos.
Com novos investimentos e expansão da capacidade instalada, o Brasil caminha para uma futura rede integrada de cirurgia robótica, capaz de modernizar o atendimento e beneficiar milhares de pacientes nos próximos anos.
Fonte: ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar
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