Exame toxicológico para primeira CNH passa a ser obrigatório para categorias A e B

Nova regra amplia controle sobre uso de substâncias, mas gera custos e etapas extras para futuros motoristas.

Foto: Shutterstock.

O Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manteve a obrigatoriedade do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A (motos) e B (carros). Antes, o teste era exigido apenas para motoristas profissionais das categorias C, D e E. A nova regra passa a valer imediatamente após publicação no Diário Oficial da União.

A Senatran informou que o exame obrigatório é o de larga janela de detecção, capaz de identificar o consumo — recente ou não — de substâncias psicoativas ingeridas até 90 dias antes do procedimento. Entre as drogas detectáveis estão anfetaminas (MDMA, metanfetamina), mazindol, maconha, cocaína e opiáceos como morfina, codeína e heroína.

Se o candidato testar positivo, não poderá concluir a obtenção da CNH. Ele deverá aguardar um período, repetir o exame e, somente após a ausência de substâncias, poderá seguir no processo de habilitação.

O teste é feito por meio de amostra queratínica: fios de cabelo, pelos ou até unhas, caso haja recomendação dermatológica. Esse exame pode detectar varios tipos de drogas entre elas estão: as anfetaminas (MDMA, metanfetamina), mazindol (inibidor de apetite), maconha (canabinoides), cocaína, opiáceos (morfina codeína e heroína) entre outras. O custo informado por laboratórios especializados, como o Latox, varia entre R$ 100 e R$ 160, dependendo da região.

A decisão foi aprovada com ampla maioria: 421 votos a favor na Câmara e 72 no Senado, todos pela derrubada do veto presidencial, reforçando a adoção imediata da nova exigência.

A nova exigência do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B tem provocado debates sobre seus efeitos diretos no processo de formação de novos condutores. A regra, válida em todo o país, apresenta benefícios importantes para a segurança viária, mas também impõe desafios financeiros e operacionais aos candidatos.

De início, a medida promete aumentar a segurança no trânsito, já que o exame inibe o uso de drogas por novos condutores e reforça o compromisso com a direção responsável. Com isso, o processo de obtenção da CNH ganha maior credibilidade, reduzindo a possibilidade de motoristas dirigirem sob influência de substâncias psicoativas.

A nova regra também garante a padronização do controle toxicológico entre todas as categorias da habilitação, eliminando brechas que antes existiam entre motoristas profissionais e particulares. Outro ponto positivo é a prevenção de acidentes, pois a detecção de uso prolongado de drogas permite impedir que candidatos com histórico recente de substâncias assumam o volante. Assim, o processo de formação se torna mais rigoroso e tende a formar condutores mais conscientes e atentos às normas.

Por outro lado, a obrigatoriedade do exame traz prejuízos e impactos diretos para quem está começando o processo de habilitação. O primeiro deles é o aumento dos custos, já que o teste não é gratuito e pode variar entre R$ 100 e R$ 160, dependendo da região. Além do valor, há mais etapas no processo, tornando-o mais demorado e burocrático.

Outro ponto crítico é a possibilidade de reprovação, mesmo que a substância detectada tenha sido consumida muito antes do início da formação. Para candidatos de baixa renda, essa exigência pode ser um obstáculo ainda maior, dificultando o acesso à CNH. A regra também impõe a dependência de laboratórios credenciados, o que pode gerar deslocamentos longos ou tempo de espera, especialmente para quem mora em cidades menores.

Dessa forma, a nova exigência do exame toxicológico traz avanços relevantes para a segurança viária, mas, ao mesmo tempo, amplia os desafios financeiros e logísticos enfrentados pelos futuros motoristas brasileiros.

Fontes: Congresso Nacional / Senatran / Ministério dos Transportes

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