Refluxo: gastroenterologista explica sintomas, alimentos que podem piorar e quando é preciso fazer endoscopia

Dra. Auanna Raquel, médica gastroenterologista, esclarece dúvidas sobre refluxo, hábitos alimentares, jejum, sintomas silenciosos, tratamento e possíveis complicações.

Médica gastroenterologista Dra. Ana Raquel, Romilson Rodrigues, radialista, e Neide Lu, jornalista.

O refluxo gastroesofágico é uma condição comum, mas nem sempre seus sintomas são facilmente reconhecidos. Em entrevista ao programa Fala Você Notícias, nesta sexta (18), a médica gastroenterologista Dra. Ana Raquel explicou o que é o refluxo, quais são os principais sintomas, quais hábitos podem piorar a doença, quando a endoscopia é necessária e quais sinais indicam a necessidade de uma investigação médica mais detalhada.

Durante a conversa com a apresentadora Neide Lu, a médica, que é natural de Guanambi e retornou à região para atuar profissionalmente, falou também sobre sua trajetória na medicina e respondeu às principais dúvidas dos ouvintes sobre uma das queixas mais frequentes nos consultórios de gastroenterologia.

O que é o refluxo gastroesofágico?

Segundo a Dra. Auanna Raquel, o refluxo acontece quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago. Esse conteúdo pode conter ácido gástrico e outras substâncias produzidas durante o processo de digestão.

O retorno ocasional pode acontecer normalmente. A preocupação surge quando os episódios se tornam frequentes e passam a provocar sintomas ou interferir na qualidade de vida.

Entre os sintomas mais conhecidos estão a azia, queimação e sensação de retorno do conteúdo do estômago para a boca. Mas o refluxo também pode se manifestar de formas menos óbvias. Tosse, irritação na garganta e rouquidão podem estar relacionados ao refluxo

A gastroenterologista explica que alguns pacientes apresentam sintomas que nem sempre são associados imediatamente ao refluxo, como:

-  Tosse persistente;

- Irritação na garganta;

- Sensação de bolo ou algo parado na garganta;

- Rouquidão;

- Desconforto na região do peito;

- Gosto amargo na boca;

- Dificuldade para engolir.

A médica ressalta, entretanto, que esses sintomas também podem ter outras causas. Por isso, quando são frequentes ou persistentes, é importante buscar avaliação profissional.

Comer e deitar logo depois pode piorar o refluxo

Entre os hábitos que podem favorecer os sintomas está o costume de fazer refeições volumosas à noite e deitar logo depois.

A orientação apresentada pela médica é evitar deitar imediatamente após as refeições, dando preferência a um intervalo de aproximadamente uma hora e meia a duas horas.

Também podem contribuir para o agravamento dos sintomas o excesso de peso, o sedentarismo e refeições muito pesadas ou volumosas.

Quem tem refluxo precisa cortar café, chocolate e refrigerante?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes de quem sofre com refluxo.

A Dra. Auanna Raquel explica que alguns alimentos e bebidas podem piorar os sintomas em determinadas pessoas. Entre eles estão:

- Frituras;

- Alimentos muito gordurosos;

- Refrigerantes e outras bebidas gaseificadas;

-  Bebidas alcoólicas;

- Chocolate;

- Café.

Entretanto, a orientação não é necessariamente retirar todos esses alimentos da alimentação de todas as pessoas que têm refluxo.

De acordo com a médica, é importante observar os gatilhos individuais e identificar quais alimentos realmente provocam ou intensificam os sintomas em cada paciente.

Jejum prolongado pode piorar os sintomas?

Durante a entrevista, a médica também respondeu a uma dúvida sobre o jejum prolongado, que se tornou uma prática popular nos últimos anos.

Segundo ela, o jejum pode provocar desconforto em algumas pessoas porque o organismo continua produzindo secreções gástricas mesmo sem a ingestão de alimentos. No entanto, isso não significa que todo indivíduo que faça jejum prolongado necessariamente terá sintomas de refluxo.

Todo paciente com refluxo precisa fazer endoscopia?

Não.

A Dra. Auanna Raquel explica que nem todo paciente com sintomas típicos de refluxo precisa realizar uma endoscopia imediatamente.

Em alguns pacientes mais jovens, sem sinais de alerta e com sintomas característicos, o diagnóstico pode ser inicialmente clínico, seguido de tratamento e acompanhamento da resposta.

A investigação por endoscopia ganha maior importância quando existem sinais de alerta, como:

- Dificuldade para engolir;

- Perda de peso sem explicação;

- Anemia ou alterações em exames;

- Surgimento de sintomas em idade mais avançada;

- Histórico familiar relacionado ao câncer gástrico;

- Persistência ou retorno dos sintomas mesmo após tratamento.

A médica também destaca que pacientes que não apresentam melhora com o tratamento precisam ser reavaliados para confirmar se realmente possuem doença do refluxo ou se existe outra condição causando os sintomas.

Neide Lu, jornalista, e a médica gastroenterologista Dra. Ana Raquel.

Refluxo que não melhora precisa ser investigado

Quando os sintomas continuam mesmo após o tratamento, a recomendação não é simplesmente aumentar a medicação por conta própria.

A gastroenterologista explica que existem exames específicos, como a pHmetria e a manometria esofágica, que podem ajudar a esclarecer se o paciente realmente apresenta refluxo, hipersensibilidade ao ácido ou outras condições que podem provocar sintomas semelhantes.

Essa diferenciação é importante porque o tratamento pode mudar de acordo com a causa.

Refluxo crônico pode causar complicações?

A médica explica que o refluxo crônico, quando não é adequadamente tratado e acompanhado, pode provocar inflamação no esôfago, chamada esofagite.

Em alguns casos, a inflamação persistente pode provocar estreitamento do esôfago e também estar associada ao desenvolvimento do esôfago de Barrett, uma alteração que está relacionada a maior risco de câncer de esôfago.

A especialista ressalta que isso não significa que uma pessoa com refluxo necessariamente desenvolverá câncer. A evolução para complicações ocorre em uma parcela dos pacientes, mas o acompanhamento médico é importante para identificar e tratar adequadamente cada caso.

Álcool, vinho e doces depois do almoço

Uma pergunta enviada por um ouvinte durante o programa abordou o consumo de vinho durante o almoço e o hábito de comer doces depois da refeição.

De acordo com a Dra. Auanna Raquel, bebidas alcoólicas podem piorar os sintomas de refluxo, especialmente quando consumidas com frequência. Já o doce após o almoço não está necessariamente relacionado diretamente ao refluxo, embora existam outras razões de saúde para evitar o consumo excessivo de açúcar.

Estresse e ansiedade podem influenciar os sintomas?

Sim. A médica explicou que existe uma interação entre o cérebro e o sistema gastrointestinal.

Estresse e ansiedade podem contribuir para o surgimento ou agravamento de sintomas gastrointestinais e podem, inclusive, produzir manifestações que se confundem com as do refluxo.

Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto de sintomas e o contexto de cada paciente.

Dra. Auanna Raquel retorna às raízes para atender na região

Natural de Guanambi, a Dra. Auanna Raquel contou durante a entrevista que deixou a cidade aos 15 anos para continuar os estudos.

Posteriormente, cursou Medicina em Niterói, trabalhou durante a pandemia de Covid-19 no atendimento a pacientes graves e realizou sua formação em Clínica Médica e Gastroenterologia.

Agora, de volta à cidade natal, ela passa a atender pacientes de Guanambi e de municípios da região.

Segundo informou durante o programa, os atendimentos são realizados na Clínica Gástrica de Dr. Egmar Nogueira, localizada na região da Praça da Prefeitura.

A médica também informou que atua com exames como colonoscopia e pode ser encontrada nas redes sociais pelo Instagram @auannaraquel.gastro.

Assista à entrevista completa

Quer saber mais sobre refluxo, alimentação, sintomas, endoscopia, tratamento e possíveis complicações?

A entrevista completa com a Dra. Auanna Raquel, médica gastroenterologista, está disponível no YouTube, no canal Neide Lu Fala Você Notícias.

Assista à entrevista completa no YouTube, acompanhe as explicações da especialista e compartilhe esta informação com familiares e amigos que sofrem com refluxo.

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